Abraçando nossa humanidade comum com auto-compaixão.
Por que isto está acontecendo comigo? O que eu fiz para merecer isso? Essas são as perguntas comuns de quem está passando por uma situação difÃcil na vida, seja uma crise financeira, uma doença ou uma separação afetiva. Essas lamentações compõem um quadro compatÃvel com o que chamamos de sentimento de autopiedade. Sentimentos desse gênero são causados, na maioria das vezes, por uma distorção cognitiva, isto é o indivÃduo perde a capacidade de ver as coisas como elas são e mergulha num mar de negatividade concluindo que ele é a única pessoa que sofre enquanto o restante do mundo está feliz. Provavelmente você já ouviu a expressão âerrar é humanoâ, mas certamente não sabia que essa frase resume uma das mais valiosas ferramentas utilizadas na Psicologia Positiva e está sendo objeto de estudo de grandes centros de pesquisa cientÃfica nessa área. Estou me referindo à Autocompaixão através da Humanidade compartilhada. A dor que sinto em tempos difÃceis é a mesma dor que você sente em tempos difÃceis. As causas são diferentes, as circunstâncias são diferentes, o grau de dor é diferente, mas a experiência básica é a mesma. Infelizmente, no entanto, a maioria das pessoas não se concentra no que têm em comum com os outros, especialmente nas dificuldades. O isolamento tem um efeito devastador na experiência do sofrimento provocando um quadro de negatividade que leva a diminuição das expectativas e um sentimento de inferioridade que inviabiliza as buscas de superação. A pessoa simplesmente não se dá conta que está num processo inconsciente sendo vÃtima de si mesma. Pela autocompaixão temos um olhar menos severo em relação a nós mesmos. Uma atitude crÃtica e autopunitiva pode ser substituÃda por uma postura autocompassiva que compreende e considera a nossa história e os traumas que vivemos no passado. Ninguém erra porque quer, a natureza humana pressupõe o erro. Compartilhar nossa humanidade é olhar para dentro de nós mesmos e localizar o que temos em comum com os outros. As diferenças existem, mas em última análise, somos todos filhos de Deus e de uma forma ou de outra buscamos as mesmas coisas: ninguém quer sofrer, ninguém quer sentir dor, todos, querem ser felizes, todos querem a paz, mas a paz que queremos para o mundo tem que começar no nosso coração. Portanto, dê uma chance a si mesmo e acalme-se. Você não está só.
Romildo R.Almeida - Psicólogo clÃnico