HONRAR PAI E MÃE - Como cuidar dos pais e lidar com o Narcisismo na velhice?
HONRAR PAI E MÃE - Como cuidar dos pais e lidar com o Narcisismo na velhice?

HONRAR PAI E MÃE - Como cuidar dos pais e lidar com o Narcisismo na velhice?

Cuidar de quem cuidou de você desde a mais tenra infância é um dever intransferível e uma obrigação moral. Mas, o que fazer quando o exercício desse dever acarreta uma sobrecarga emocional que afeta a sua saúde e inviabiliza o seu projeto pessoal? Será que cumprir o quinto mandamento da Lei de Deus (Honrar pai e mãe) significa sacrificar os seus sonhos, seus projetos e se dedicar exclusivamente aos cuidados dos pais? Essa questão é complexa, pois envolve muitos fatores e deve ser discutida a partir do contexto não só religioso, mas também sob a ótica da saúde mental.

Se aprofundarmos nessa questão buscando o próprio entendimento religioso, vamos chegar a um paradoxo, pois Jesus também ensinou: Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração e em seguida acrescentou:  Ame ao próximo como a ti mesmo, estabelecendo que para amar e servir alguém é preciso, antes de tudo, estar em condições. Dentro dessa perspectiva, quando o ato de cuidar dos pais exige a destruição da saúde mental ou física ou a destruição do projeto de vida daquele que cuida, a equação evangélica entra em conflito.

Outra questão a ser considerada é o Narcisismo na velhice; trata-se de um fenômeno neuroquímico que ocorre em alguns idosos gerando perda da empatia. Nessa condição o idoso não se importa com o sofrimento do outro, pois está voltado para si mesmo numa tentativa de reconquistar o poder como compensação ao declínio de suas capacidades. Nessa fase podem se tornar exigentes, controladores e usar a saúde e a fragilidade como forma de obter atenção dos familiares. Os filhos cuidadores imersos nesse ambiente caótico marcado por amor e culpa, desenvolvem esgotamento físico e mental que levam à depressão.

É preciso entender que não existe incompatibilidade entre cuidar dos pais e cuidar de si mesmo, pois uma necessidade pressupõe a outra. Quando estabelecemos limites saudáveis, quando dividimos o fardo do cuidado com profissionais ou familiares e quando blindamos nossa saúde mental, não estamos violando o quinto mandamento. Pelo contrário, estamos purificando o ato de cuidar, transformando uma obrigação sufocante em uma escolha consciente e digna. É possível, sim, estender as mãos para amparar quem nos deu a vida sem precisar soltar as rédeas do nosso próprio destino. Afinal, diante de Deus e da própria vida, honrar pai e mãe só faz sentido se o filho também puder continuar existindo.

Romildo R. Almeida - Psicólogo Clínico

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