Por que a maioria dos problemas psicológicos trabalhados nas sessões de psicoterapia, tem como foco principal o relacionamento com os pais, sobretudo a figura materna? Falta de carinho, repressão, negligência, são geralmente apontados como fatores causais dos transtornos psicológicos. Será que a mãe é tão culpada assim, ou será que culpar a mãe não passa de uma justificativa para os fracassos pessoais? Não seria mais eficiente se tomássemos posse da nossa liberdade e fizéssemos uso da nossa capacidade de construir nosso destino e sermos responsáveis pela nossa própria história?
A culpabilização da figura materna deve-se muitas vezes ao fato de que a mãe, ou quem assume esse papel, é frequentemente o primeiro espelho de um ser humano. É o modelo primordial da vida do bebê desde o nascimento, é nela e com ela que a criança experimenta os primeiros prazeres e desprazeres da vida. Segundo Melanie Klein, psicanalista freudiana e autora de diversos livros sobre Psicologia infantil, a relação mãe-bebê é o alicerce da estrutura psÃquica. Através da amamentação a criança adquire um vÃnculo de satisfação e ao mesmo tempo de frustração.
O seio materno passa a ocupar um lugar central da vida do bebê à medida em que ele percebe que sem tão precioso objeto, não há vida, não há prazer, nem cuidado. Segundo a autora é nesse contexto que surgem as primeiras manifestações de amor e ódio que vão moldar a personalidade do indivÃduo. Mas é exagero afirmar que todas as mazelas psÃquicas que acontecem na vida é culpa da mãe. Existem muitos casos de pessoas que foram negligenciadas pelos pais na infância, mas se tornaram exemplos de superação, como Steve Jobs, fundador da Apple, que foi rejeitado pela mãe biológica e entregue para adoção.
A melhor atitude para quem teve uma infância sofrida e desafiadora, marcada por ausência de apego materno, é acreditar que a vida é um dom e que você não nasceu por acaso. Todos, temos um propósito e se você não encontrou o seu, deve procurá-lo exaustivamente; em alguns casos, é necessário fazer psicoterapia. O fato é que precisamos aceitar nossas feridas do passado, reconhecendo o quanto ela dói, mas ao mesmo tempo tratá-las com bondade e autocompaixão. Talvez, o melhor presente que possamos dar às mães e a nós mesmos, seja o perdão autêntico que nasce do entendimento maduro de que a perfeição não existe, pois todos nós somos imperfeitos, incluindo você e sua mãe.
Romildo R. Almeida - Psicólogo ClÃnico
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